|
Resumo/Descrição
|
O lançamento desta obra de Paulo Freire em português se dá no momento em que o educador
brasileiro retorna de quinze anos de exílio. Retorna ao Brasil “distante do qual estava há 14 anos,
mas distante do qual nunca estava também”, como declarou ele no ano passado, quando foi
impossibilitado de participar do I Seminário de Educação Brasileira, porque lhe fora negado o
passaporte. Indagado ao descer hoje no aeroporto de Viracopos se havia acompanhado a evolução
política e educacional do país, Paulo Freire disse ter feito o impossível para isso e acrescentou: “mas
a cada momento eu descubro que é indispensável estar aqui para melhor entender toda a atual
realidade. Quinze anos de ausência exigem uma reaprendizagem e uma maior intimização com o
Brasil de hoje.” Com a modéstia intelectual que sempre o caracterizou ele volta disposto a percorrer
mais uma etapa nesta sua permanente “aprendizagem”.
É-me, portanto, impossível apresentar hoje esta obra sem mencionar sua volta do exílio. O exílio não
marcou, de forma alguma, o seu pensamento de mágoa ou de uma nostalgia doentia. Onde quer que
tenha trabalhado, saindo do país, – no Chile, nos Estados Unidos, na Suíça ou na África – sua teoria
e sua práxis estão carregadas de otimismo, certamente um otimismo crítico, levando mensagens de
esperança, certo de estar combatendo ao lado daqueles que são os portadores da liberdade, os
oprimidos. Paulo Freire não é um intelectual acadêmico, distante da vida concreta, do quotidiano. por
isso – e não porque tenha seguido uma doutrina filosófica ou um ideário político – que sua teoria e
sua práxis são tão fortes, violentas até, carregadas de um sentido existencial profundo. Sentido que
Paulo Freire não “dá”, mas que “exprime”. E como o seu ponto de par-tida, a sua opção radical é a
libertação dos oprimidos, o sentido mais profundo da sua obra é ser a “expressão” dos oprimidos.
Daí ser uma obra inquietadora, perturbadora, revolucionária. Ela e
|